Covarde.

>> terça-feira, 16 de agosto de 2011

As vezes eu me sinto covarde. Minha melhor amiga me acompanhou na recuperação, e depois de ter chorado tanto ela se mostrou orgulhosa por eu me mostrar disposto e inclinado a me curar. Como dizer a ela então, que seus esforços foram em vão? Como chegar nela e dizer que sinto muito, mas a vida que eu quero pra mim é essa. Não há espaço pra comida até que eu alcance minha paz interior. Isso seria a maior decepção que eu posso dar a alguém, e eu não quero ser responsável pela tristeza de outras pessoas. Já fico me culpando demais, me condenando demais e me entopercendo demais. Triste comigo mesmo, pela dor que eu já causei, por tudo que eu posso causar e pela minha escolha (escolha?) de vida. Não posso, simplesmente abrir o jogo. Fiz isso uma vez e me arrependi. Ela se mostrou tão ocupada de mim, me levando ao consultório (sem nem deixar minha mãe desconfiar de nada...). E até chegou a sugerir fazer terapia de amigos duas vezes por semana. Iriamos ao shopping, ou outro lugar mais calmo, e conversariamos sobre a ana, e meus avanços. Eu disse a ela que não precisava mais de terapia, e que estava bem. Como eu ousaria mentir descaradamente outra vez a uma pessoa que estava se revelando um verdadeiro anjo na minha vida? É tão difícil e as vezes eu me sinto tão, tão covarde.

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Com os pés no chão?

"Eu me desliguei para evitar perda total. Eu teria fugido e diria problema resolvido, o quanto antes. Eu cresci enojado pela sua cabeça de mente fraca. Me imaginar engolindo sem mastigar não tem sido difícil"
-alanis morissette


E eu sinto que eu tenho cuidado muito mais de mim, nesses dias. Eu tenho me olhado no espelho, e me preocupado com minha saúde e com meu bem-estar. Eu sei que isso está ligado a todo esse tempo afastado da anorexia, e dessas lutas diárias por perder cada grama. Essa doença é uma grande merda, e hoje eu consigo enxergar isso. Só que de alguma forma, eu não quero me afastar totalmente. Minha saúde estava frágil, sim. Minhas mentiras maiores, sim. Minhas síndromes e medos e todas as consequências que vêm junto com a ana, incluindo depressão, estavam acabando comigo e com minha vida social. Como Alanis diz na música, eu decidi me desligar para evitar perda total. Eu quem quis. Tive ajuda, apoio e insistência dos meus amigos, óbvio, mas a ultima palavra foi minha. Eu decidi abandonar a ana, sozinho. Que outro anoréxico pode dizer a mesma coisa? E do mesmo jeito que fui embora, agora eu voltei. Mais consciente do que estou fazendo. Meus pés estão no chão, e embora eu saiba que vou sofrer, eu sei que valerá a pena quando eu alcançar minha meta. E estou mais do que disposto a conseguir.

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>> quinta-feira, 21 de julho de 2011

Às vezes parece que nunca é o suficiente.

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